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McIntosh MC462 + C2700

McIntosh MC462 + C2700

João Zeferino

6 Janeiro 2022

Um grande estilo e um grande som de braço dado.


Audições

O conjunto C2700/MC462 teve como fonte analógica o gira-discos Project Xtension 10 Evolution, equipado com uma célula de leitura Hana ML (MC). Na fonte digital estiveram o servidor / streamer Aurender ACS10, o transporte de CD’s C.E.C. TL-5 e também o DAC Auralic Vega G2.1, utilizado como termo de comparação com o módulo DA2 existente no C2700. As colunas foram as residentes B&W 802D3 e a cablagem incluiu os cabos digitais AudioQuest Carbon USB e Nordost Blue Heaven SPDIF. Na interligação analógica estiveram os Kimber Select KS-1121 e nas colunas os Kimber Select KS-3033.

Para as primeiras audições utilizei a gravação da CBS MasterWorks do Concerto nº 5, Imperador, de Beethoven, com Murray Perahia ao piano acompanhado pela Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão com direcção de Bernard Haitink. A característica mais marcante da reprodução foi uma subjectiva ausência de distorção, que origina um som que tem algo de naturalmente inteligível, palpável, límpido, sem grão electrónico, características que se manifestam independentemente do volume ou da complexidade dinâmica da música. A audição do concerto de Beethoven revelou uma amplificação capaz de reproduzir uma riqueza harmónica e tímbrica excepcionais, conseguindo uma das melhores reproduções de piano que ouvi nos últimos tempos, com um excelente discernimento da magistral técnica interpretativa de Perahia, nomeadamente na facilidade com que apresenta o trabalho da mão esquerda, e um palco sonoro perfeitamente delineado com o piano a ocupar uma posição de destaque e a orquestra num plano mais recuado, como convém, mas em que cada naipe ocupa o seu espaço próprio, em largura e profundidade, sem quaisquer atropelamentos entre si.

Ainda dentro do género concertístico, mas com a orquestração mais densa de Rachmaninov, ficou bem patente o equilíbrio das prestações sonoras dos McIntosh, não sendo muito fácil distinguir este ou aquele aspecto da reprodução sonora. Um grave extenso, controlado e dono de um slam notável, uma gama média macia, encorpada e envolvente e um registo agudo limpo, refulgente, mas sempre doce ao longo de toda a extensão aparente, proporcionam uma sonoridade cativante e isenta de defeitos óbvios, convidando a longos períodos de audição. Nesta gravação do 3º concerto para piano e orquestra do compositor russo, em que é solista Martha Argerich, respeita-se, como poucas vezes acontece, o diálogo entre o instrumento solista e a orquestra. O concerto de Rachmaninov tem uma orquestração muito densa e facilmente a orquestra abafa o piano, contudo, nesta gravação e com a direcção competente de Riccardo Chailly, a orquestra soa sempre controlada e com um verdadeiro sentido de acompanhamento do instrumento solista, resultando numa verdadeira comunhão musical entre todos os músicos intervenientes. Obviamente que cabe ao sistema de som respeitar a dinâmica e o balanço conseguidos na gravação e neste aspecto o equilíbrio demonstrado pelos McIntosh com as B&W foi exemplar.

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A cantata cénica Carmina Burana de Carl Orff, com o coro e a orquestra filarmónica de Atlanta, com direcção de Robert Shaw esteve soberba na gravação da Telarc. A suavidade da gravação orquestral e, simultaneamente, o impressionante impacto físico que provoca no nosso corpo, juntamente com a clareza dos timbres nos instrumentos individuais, assim como a solidez e recorte dos graves, proporcionou-me uma das reproduções sonoras desta obra grandiosa mais impressionantes que já tive a oportunidade de experimentar na minha sala de audições.

Mudando para um género musical completamente distinto, e o álbum The Final Cut dos Pink Floyd, em formato LP. A entrada da faixa Your Possible Pasts dá-se quase em surdina, aumentando progressivamente até ao fff que anuncia a entrada do refrão, os McIntosh ofereceram um muito bom discernimento nos pormenores e uma enorme presença das teclas, da guitarra e, principalmente, da voz solista, soando soltas e bem controladas, bem sobranceiras ao som cavo que ao fundo é criado pelo sintetizador. O registo grave surgiu com uma assinalável pujança, dotando a reprodução sonora do necessário corpo e permitindo sublinhar a clareza e definição dos instrumentos intervenientes.

A suavidade, liquidez e o carácter doce do som, fazem do McIntosh um amplificador tolerante a gravações de qualidade menos boa, contudo, quando as gravações são boas, então o resultado é de uma suavidade, lucidez e transparência difíceis de igualar. É importante referir que essas características em nada prejudicam quer a velocidade de resposta a transitórios, quer a demonstração dos contrastes dinâmicos mais marcados, num discurso musical que se apresenta sempre livre de empastelamentos mesmo com obras de conteúdo mais complexo e de difícil discernimento. A Dança do Sabre de Khachaturian (Erato) na versão original para grande orquestra, foi reproduzida com todo o fulgor, revelando nitidamente os diversos instrumentos de percussão presentes e a respectiva localização no palco sonoro. Recorrendo a uma metáfora automobilística diria que os McIntosh são uns Rolls-Royce que nos transportam rapidamente, com todas as mordomias e todo o conforto, mas… não são um Ferrari.

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Conclusão

A dupla McIntosh C2700/MC462 proporcionou-me uma das mais interessantes experiências audiófilas dos últimos tempos. Quando atento no conjunto de experiências sensoriais que incluem naturalmente o próprio manuseio, e não apenas a primordial questão sonora, o conjunto McIntosh destacou-se pela forma como continuamente me cativou a atenção, me levou a experimentar as diferentes opções, desde a utilização dos controlos de tonalidade e a sua influência no resultado final, passando pela utilização do DAC interno por comparação com o meu próprio conversor D/A, numa roda-viva de experiências que me acicataram o entusiasmo tantas vezes adormecido por força da rotina que se instala com o tempo.

Os resultados no meu sistema de som, nomeadamente a notável compatibilidade com as características sonoras das colunas B&W802D3, atingiram um nível verdadeiramente high-end vários furos acima do preço - elevado é certo, mas muito longe dos desvarios que hoje em dia é fácil de encontrar - realista e totalmente justificado pela qualidade que o produto facilmente demonstra. Uma amplificação com a qual eu seria um audiófilo feliz.

Preços:

Pré-amplificador C2700 – 12.035,00€
Amplificador MC462 – 14.500,00€
Representante: Ajasom. – Telef.: 214748709 – Telem.: 963929510
Web: Ajasom