TESTES

by António Flórido on 21 Janeiro 2011 00:00Grado GS1000i / RA1, uma sugestão natural

Auscultadores GS1000i

Eis aqui uma proposta de alto calibre de um dos mais reputados fabricantes de auscultadores.

Os auscultadores da Grado foram ligados aos dois exemplares do amplificador RA1 que lhes fizeram companhia – com tipos de alimentação diferentes: AC e DC (que faz uso de duas pilhas de 9 V). Estes, por sua vez, foram ligados ao meu conversor Sonic Frontiers SFD-2 MKII através de um cabo de ligação Wire World Gold Eclipse, não balanceado. Como sistema de leitura de CD’s foi utilizado o transporte Sonic Frontiers SFT-1.
Tive a possibilidade de ouvir os auscultadores ligados directamente quer aos amplificadores, quer também ligados através da extensão de cabo de 15 pés (cerca de 4,5 m) que acompanha o exemplar, na sua própria caixa.
Embora os resultados obtidos com cada uma das versões do amplificador fossem muito semelhantes, pareceu-me existirem diferenças entre ambas, resultantes, naturalmente, do tipo de alimentação específico em cada caso, já que partimos do princípio de ser a topologia dos circuitos de tratamento do sinal idêntica, uma vez que o construtor nada afirma sobre o assunto que contrarie esse pressuposto.
Prefiro deixar a questão da diferença entre as duas versões para mais à frente, uma vez que o que está em foco, antes de mais, é a qualidade dos auscultadores.
A personalidade sonora dos Grado pode definir-se em poucas palavras. O seu som é quente e afável, tão quente e afável quanto é conveniente às audições de música na intimidade do silêncio individual e solitário. Diria mesmo que os Grado têm um som romântico, onde as médias frequências predominam de forma subtil, mas sem nunca se sobreporem aos extremos de frequência.
Especialmente, as médias-altas frequências e os agudos apresentam uma qualidade que considero notável, com aquelas a permitirem uma reprodução de instrumentos de sopro (metais e madeiras) sem nenhuma compressão, mas deixando-nos aperceber bem, por exemplo, as texturas, correctas, dos timbres.
Por outro lado, os agudos são de um requinte a toda a prova. Diria mesmo que são agudos assombrosos pela qualidade, e aqui deixem-me que trace um paralelo com as colunas que todos temos nos nossos sistemas: de forma equivalente, o agudo dos GS1000i permite reduzir cada instrumento à sua verdadeira «dimensão» – num par de colunas diria que a focagem dos instrumentos, resultante destes agudos de excepcional qualidade é, também ela própria, excepcional. Não se trata de comparações físicas com a realidade ou com um par de colunas; trata-se de verificar o efeito que em cada um dos casos a qualidade dos agudos é capaz de provocar e, naturalmente, também, estabelecer um equivalente através da subjectividade da análise.
Mais uma vez, por incrível que pareça, os Grado recriam um espaço sonoro, a que chamaria «palco», verdadeiramente surpreendente, pelo facto de se tratar exactamente de um par de auscultadores e não de um par de colunas. Em certo momento das minhas audições, dei por mim a forçar a imaginação, tentando «aceitar» que aquele som que ouvia era resultado de um sistema composto, entre outras coisas, por um par de colunas. Pois bem, não foi necessário um grande esforço, porque, se não se pode mudar a realidade com o nosso pensamento, o certo é que podemos iludir essa realidade de forma muito convincente. E isto será tão válido aqui como para o é para muitas outras tantas coisas na vida.
Com qualquer tipo de música os GS1000i deram-se como peixe na água, sem grandes problemas no seu trabalho. Embora a microdinâmica dos Grado lhes permita, por exemplo, recriar fantasticamente os espaços da forma que já referi, pareceu-me que a sua personalidade sónica, aliada ao calor sonoro, acaba por transmitir a sensação de que os transitórios não têm o impacte dinâmico que sentimos com colunas. No entanto, trata-se de um tipo de reprodução diferente, onde a cautela com a saúde dos nossos ouvidos recomenda alguma contenção neste pormenor. Não deve ser por acaso que o manual dos Grado recomenda não ligar os auscultadores em volumes elevados durante muito tempo. Provavelmente há aqui uma preocupação do construtor sobre a questão da saúde dos ouvidos (e também do seu produto, obviamente).
Não senti que os Grado fossem possuidores de alguma falha de assinalar na qualidade do seu som; parece-me que o resultado é muito equilibrado, embora admita que possa haver quem não aprecie este tipo de sonoridade, preferindo, por exemplo, o som menos caloroso e mais metálico dos Senheiser HD 800, que considero os grandes rivais dos GS1000i. Pessoalmente sou mais adepto do tipo de sonoridade dos Grado, mas isso não quer dizer nada, porque se todos gostássemos do verde, o que seria do azul…
Relativamente às diferenças entre ambos os amplificadores, pareceu-me que o som da versão a pilhas apresenta maior espacialidade e silêncio. Pelo contrário, pareceu-me ter menos definição no baixo, mas acima de tudo é, entre ambas, a versão de sonoridade mais quente, com vozes mais encorpadas e presentes e também aparentemente com maior capacidade subjectiva de se mostrar menos vulnerável ao grão provocado pela alimentação. Refiro este pormenor, mas continuo a chamar a atenção para que as diferenças entre ambas as versões são tão mínimas que pode haver quem entenda que são apenas subjectivas ou, mais do que isso, psicológicas, por efeitos da sugestão. No entanto, dei por mim a preferir a versão DC, mas devo confessar que não sei se aqui reside algum desejo secreto de querer alinhar em soluções tecnologicamente mais atraentes, como é o caso do uso de uma alimentação a pilhas. E embora ache que há, da minha parte, uma grande dose de objectividade ao falar sobre as diferenças, aceito facilmente que outra pessoa discorde da minha conclusão.

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