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by Jorge Gonçalves on 29 Janeiro 2012 00:40CES Las Vegas 2012 - 3.ª parte

As novidades do mundo do áudio

Os sons «mágicos»

Votemos então ao áudio que sobre este há muito que dizer. E a primeira marca a mencionar é a Conrad Johnson, não só porque tinha uma interessante novidade como porque estava exactamente no início de um dos corredores do piso 29 do Venetian e foi por aí que comecei a minha peregrinação neste hotel.
O ARTsa é um interessante amplificador estéreo que segue a filosofia dos tão bem sucedidos monoblocos ART, não só no projecto electrónico como em termos de estética externa. Exclusivamente a válvulas, debita 140 W por canal, tendo o tríodo especial M8080 sido neste caso substituído por um duplo tríodo 6189 (equivalência europeia 12AT7WA) mas mantendo-se a alta qualidade de todos os componentes, nomeadamente nos condensadores de Teflon, resistências Vishay, transformadores de elevada largura de banda Transpectral, fusíveis de prata, etc. O preços nos Estados Unidos deverá rondar os 18500 dólares e o ARTsa deverá estar disponível durante Fevereiro. Para já, posso dizer que gostei muito do que ouvi da combinação ARTsa/NEAT Ultimatum XL10: um som completo, dinâmico e pleno de espacialidade, como seria de esperar. Lew Johnson estava obviamente orgulhoso de mais este excelente resultado.
Embora me vá dedicar muito mais em profundidade aos produtos das marcas distribuídas entre nós, já que são estas que os leitores da Audio poderão encontrar nas lojas um destes dias, não posso deixar de falar num ou outro que me chamaram a atenção, ou seja, me cativaram os ouvidos. E começo pelos monoblocos Mastersound Orfeus, que estavam a tocar com as colunas Aureus e que utilizam duas 300B em paralelo na saída, sendo a configuração do andar final do tipo single-ended. O controlo nos graves era excelente, a voz de Sara Brightman uma beleza assinalável, embora talvez um pouco recuada. Eu diria que não se comparam com nenhum amplificador com 300B que eu já tenha ouvi e foi exactamente a impressão que transmiti ao seu projectista, o Sr. Lorenzo Sanavio (um dos muitos italianos que expunham no CES), com o qual me demorei a falar sobre áudio e electrónica por um bom bocado de tempo. Pude saber que os transformadores de saída são fabricados por encomenda e permitem que a resposta em frequência vá desde 1 Hz (quase corrente contínua) até 100 kHz, sendo a potência de saída de 30 W.
E, já que estamos nas válvulas, seria difícil não mencionar o imponente amplificador monobloco CAT The Statement, acompanhado pelo prévio CAT SL1 Legend que me fez lembrar um dos produtos que alguma vez mais me impressionou quando esteve cá em casa, o SL1 Signature. As colunas eram as MBL 101E e, talvez por isso mesmo, o som não me impressionou por aí além, parecendo algo lento e pouco dinâmico.
A Arcam apostou em duas direcções, ao mostrar o DAC FMJ D33, uma versão high-end do DAC míni lançado há cerca de ano e meio, o qual tem DACs Burr Brown de 24 bit/192 kHz, entradas USB, AES/EBU, SPDIF e óptica; e, ao mesmo tempo, tinha em exposição uma vasta gama de DAC’s miniatura com a designação genérica rLink e que permitem ligar todo o tipo de dispositivos a um sistema através de Bluetooth, interface iPod, ligação USB e quase tudo o mais que nos venha à cabeça.
E, embora não venha exactamente na sequência, já que a suite de demonstração se encontrava no 35.º andar, não posso deixar de mencionar aqui o novo flagship da Magico, as Q7. Não só porque são umas colunas imponentes, com uma tecnologia soberba por detrás, mas também porque sofreram uma transformação radical desde o segundo dia do CES até ao último dia do certame em que eu as ouvi outra vez. As Q7 impressionam pelo seu impressionante conjunto de cinco altifalantes, cada um deles fabricado segundo as especificações exactas da Magico, e igualmente pela sua elevada sensibilidade – 94 dB/W/m. Podem suportar até 1200 W de potência e têm uma impedância característica de 4 Ohm, valor este que faz com que não sejam assim uma carga tão benigna quanto a seus elevada sensibilidade nos poderia levar a pensar. E isso foi bem patente nos primeiros dias em que, apesar de estarem combinadas com equipamento electrónico de primeira água que incluía um leitor digital profissional da Pacific Microsonics (a empresa para a qual Keith Johnson fez diversos projectos e que inventou o HDCD) e um prévio Studio Reference, da Spectral, tinham como elemento final na electrónica uns misteriosos amplificadores que, ao que parece, estará ainda em fase de desenvolvimento e de que ninguém quis dizer quem era o fabricante. O que me parece é que esses amplificadores tiravam um pouco a alma às colunas e faziam com que o som, embora correcto em quase todos os aspectos, não mexesse com as nossas emoções. No último dia pude ouvir as Q7 com electrónica Soulution, mais exactamente com os monoblocos 501, e encontrei-me nessa sala com Jonathan Valin, crítico da Absolute Sound que já tinha estado comigo antes na suite da TAD. E, meu deus, como podem umas colunas mudar tanto assim? Pois agora tinha vida, alma, emoção, juntamente com toda a energia que era necessária e um palco espacial imenso, tudo ali na minha frente. Tivessem elas soado sempre assim desde o primeiro dia e seriam certamente umas contendoras perfeitas para o melhor som do Show. Aqui se prova mais uma vez que, tal como a Linn dizia nos anos 80: o som final de um sistema é tão fraco como o mais fraco dos seus elementos. Desta vez as Q7 soaram como umas colunas de 160 000 dólares, se é que me é permitido dizer isso neste momento de tão acentuada crise. E não posso deixar de citar igualmente a bela estética (estava em exposição passiva numa sala ao lado da das Q7) das Magico S5, com belos painéis laterais em madeira.
Logo ali junto às Magico tínhamos Dan D’Agostino e a sua espantosa linha Momentum de que apresentou em demonstração a versão estéreo dos seus aclamados monoblocos com topologia totalmente balanceada e recorrendo aos melhores componentes disponíveis tais como resistências de filme metálico de 1% e transístores de saída que respondem até 69 MHz, o que permite obter uma largura de banda que excede 200 kHz. A potência de 200 W sobre 8 Ohm passa a 400 W sobre 4 Ohm. Em fase de desenvolvimento está o prévio Momentum de que se podia apreciar uma maqueta ainda não verdadeiramente representativa do modelo final segundo Dan. Uma vez mais é totalmente balanceado e não contém Ampops como elementos de amplificação activa. O controlo de volume é implementado através de uma malha de resistências controlada por um dispositivo óptico. A alimentação está contida numa caixa separada e integra um transformador com uma potência de 300 VA. Este prévio será equipado com um controlo remoto que funciona por radiofrequência. Dois dos monoblocos Momentum e o novo modelo estéreo estavam a tocar soberbamente bem com as ubíquas Wilson Audio Sasha (what else?), provando mais uma vez a minha opinião de que estas são talvez as colunas mais completas (a um preço razoável, claro) que a Wilson alguma vez lançou no mercado. Ah, e quem gostar do preto passa a ter essa cor disponível em opção para toda a linha Momentum.

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